A Questão do Verde nos
Mapas
-
Capacidade de Corrida
por
BJÖRN PERSSON, Comitê de Mapas da IOF
Extraído da revista ORIENTEERING WORD
96 nº5-Outubro
tradução de J. M. FRANCO
A
idéia de
estimar a
capacidade de
corrida nos mapas de orientação
foi introduzida no início da década
de setenta. A razão para isto, naturalmente, era tornar o esporte mais justo,
eliminando a possibilidade de escolha de rotas desfavoráveis devido a terreno
'ruim'.
Neste
estágio inicial, a capacidade de corrida não era classificada em graus, isto
surgiu posteriormente. E nas
normas de 1990, os
mapeadores encontraram-se com 9 diferentes classificações para a capacidade de
corrida nas cores verde e amarelo, distinguindo além da capacidade de corrida
também as diferentes condições de 'visibilidade'. Isto estava a par da evolução,
tentando eliminar o tanto quanto possível o fator 'sorte' num percurso de
orientação; vários corredores de elite já haviam expressado suas opiniões
sobre este assunto.
Mapas Verdes Demais
Como
se desenvolveu o uso da cor verde desde que as normas de 1990 foram
apresentadas? Há várias observações a fazer. Primeiramente, houve uma tendência
geral de que os mapas ficassem mais verdes com o passar do tempo. Não era
incomum ver mapas onde o verde 20% parecia ser a cor básica, com alguns pontos
brancos de mata boa para correr. A razão para isto variava, mas supomos que os
mapeadores subestimavam a capacidade dos corredores, e não testavam o terreno
direito.
O
ponto básico é entender que deve ser levado em conta a velocidade de corrida e
não o ponto de vista ! Em várias ocasiões foi comprovado que os corredores de
elite prestam pouca atenção para o verde claro (para não dizer
nenhuma).
As
escolhas de rota
em certo
campeonato, em mapas com verde demais mostraram
que os corredores, em várias situações, preferiram uma rota 'cheia de
verde' em vez de uma opção 'branca' existente. Isto significa que o corredor
julga a capacidade de corrida de forma diferente do mapeador.
Mapeadores Precisam
A
introdução de várias classificações da capacidade de corrida tornam os
mapas mais trabalhosos no
levantamento de campo, e dão uma vida útil menor. Por outro lado, esta informação
aumenta o grau de esportividade da orientação,
o qual é essencial para as competições. As tendências atuais do uso do verde
divergem das intenções originais, quando foram introduzidos os graus
detalhados de capacidade de corrida. O problema é que os mapeadores precisam
entender melhor as necessidades e capacidades dos corredores.
Este
é um esforço coordenado que precisa ser focalizado nos próximos anos. O número
e a exata definição dos símbolos de capacidade de corrida precisam ser
revisados nas próximas revisões das normas da IOF, mas a tarefa mais
importante será desenvolver e introduzir métodos para uma padronização da
classificação. Isto não pode ser feito sem a cooperação conjunta com os usuários,
os orientadores.
Vegetação Ignorada
Outro
exemplo foi visto em um dos eventos da Copa Mundial 96. Os mapeadores
tiveram bastante trabalho para reambular a vegetação (IOF407) , linhas verdes
espaçadas.
Comentando
o evento, um importante corredor disse que havia testado
este tipo
de vegetação
no evento
demonstração e notou imediatamente que não precisaria prestar atenção
nele! Isto mostra novamente que os mapeadores subestimaram os corredores e
investiram bastante tempo e dinheiro em algo que não foi usado.
O
efeito do desuso das cores verdes será que os corredores perderão
a confiança nos
detalhes que
representam a capacidade de corrida, e não saberão de um evento para
outro se eles estão mostrando a real situação de corrida.
Precisão das Bordas
Não é Importante
Um
segundo problema, especialmente com a cor verde claro (IOF406), diz respeito ao
tamanho e precisão
. Em muitas situações os mapeadores gastam bastante tempo reambulando as
bordas destas áreas com grande precisão.
Esta
simbologia não é utilizada fundamentalmente com fins de posicionamento, e
portanto poderia
ser tratada com menor ênfase
na precisão. Sua principal função é dar ao corredor a informação que ele
precisa na escolha de rota. Isto também significa que não há necessidade de
plotar áreas muito pequenas e isoladas deste tipo de vegetação.
Testando a Capacidade
O
único modo de corrigir este erro
é o mapeador usar um método para testar a capacidade de corrida em diferentes
situações. Um exemplo deste tipo de teste foi desenvolvido pelo Comitê de
Mapas da Dinamarca. Na maioria dos casos o teste deixou claro para os mapeadores
que eles geralmente classificam a cor verde um grau 'mais verde'.
Isto
significa que quando o verde 20% é usado, poderia ser branco; e quando o verde
100% é usado, poderia ser verde 50%. Este método é um caminho pedagógico de
mostrar a um mapeador onde ele estaria em termos de classificação.